Por Kate Kaye, do Ad Age (*)
Quando o New York Times distribuiu um milhão de Google Cardboards, o equipamento de realidade virtual do Google, para os que assinam o jornal aos domingos, no começo de novembro, ele apenas reafirmou o que a empresa de defesa Raytheon já pensava sobre a tecnologia nascente. O fabricante da tecnologia de defesa anti-míssil tem estado profundamente envolvida no desenvolvimento de seu próprio aplicativo de realidade virtual e conteúdo para promover o mais novo upgrade para o seu sistema de radar Patriot – o qual, assim como a realidade virtual, é baseada em visão de 360 graus.
“Eu estava torcendo no dia em que descobri isso”, disse Erin Sheehy, diretora de comunicações integradas para a Raytheon, referindo-se à iniciativa sem precedentes do New York Times. Ela havia comprado um dispositivo Google Cardboard naquele fim de semana na Amazon. “Nós estamos em boa companhia”, disse.
A Raytheon lançou a sua turnê mundial de realidade virtual no Warsaw Security Forum e Dubai Airshow no mês passado, lançando o aplicativo Raytheon Radar 360 Viewer e conteúdos de realidade virtual junto com um dispositivo Google Cardboard com a marca da Raytheon nos grandes eventos da indústria de defesa. Sheehy vê a realidade virtual como uma maneira plausível de promover a Raytheon como uma marca inovadora, não só para os que tomam decisões no governo, mas também para os entusiastas de tecnologia, veteranos e futuros recrutas militares.
Em andamento desde junho, o conteúdo do app – por enquanto apenas uma pequena experiência de realidade virtual – é uma maneira de visualizar como o novo radar de 360 graus da Global Patriot Solutions rastreia ameaça de mísseis de todos os ângulos. “É um radar que não olha apenas para frente, mas ao redor, porque as ameaças podem vir de diferentes áreas”, disse Sheehy. A tecnologia está disponível para clientes de governos globais, treze dos quais já são consumidores, como os Estados Unidos e a Alemanha. “O exército americano está procurando se atualizar, então isso seria algo em um orçamento futuro”, ela disse. “Esta é uma maneira de mostrar a eles o que está por vir”, acrescentou.
Durante o outono, a firma alardeou o seu upgrade na tecnologia de radar com a exibição de um vídeo digital e uma companha publicitária desenvolvida em conjunto com o Boston Group. Os anúncios foram veiculados em Washington, sites de notícias como o TheHill.com e enfatizaram a “inovação” e “acessibilidade” da tecnologia.
O conteúdo atual do aplicativo é simples. O espectador está em um gramado verde e exuberante em New England, observando um teste de alcance de um radar. Pontos na paisagem 360 graus são destacados, imitando como o próprio sistema de radar pode isolar ameaças em potencial.
Filmar e produzir conteúdo de realidade virtual não é uma tarefa simples, mas a Raytheon criou internamente o único vídeo disponível em seu app, com sua equipe de comunicação e um grupo de mídia avançada. A empresa até fez a sua própria impressora 3D para construir um apoio para suas câmeras GoPro que foram usadas para filmar as paisagens de 360º. Custo de desenvolvimento do aplicativo: menos de US$ 20 mil.
A firma talvez use suas recém-descobertas habilidades com realidade virtual para outros programas, Sheehy sugeriu, mas não quis revelar quantas vezes o app foi baixado, dizendo que a Raytheon fez apenas um lançamento discreto até agora. “Esse é um novo conjunto de habilidades para nós”, afirmou.
(*) Tradução: Odhara Caroline Rodrigues
Campo em New England é palco de um teste de alcance do radar
Crédito: Reprodução AdAge
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