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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Ouça, pare e pense – uma campanha que abrirá os seus olhos

By Bill Almeida

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Já imaginou viver sem música? Chato, não? Na verdade, impossível! A música mexe com os sentimentos, nos deixa para cima ou para baixo, diverte, entretém – toca a alma. Música é linguagem, é poesia, é batida… é tanta coisa, que nem sempre reparamos em todos os detalhes. Entre os vários tipos de ritmos e estilos, os que têm as batidas mais fortes, aqueles que ao nos darmos conta já estamos dançando loucamente na pista (ou inconscientemente mexendo os pezinhos na fila do pão), são os que dificilmente prestamos atenção na letra, afinal, importa quando o objetivo é se divertir e extravasar? Não muito. Mas há musicas que carregam mensagens que realmente deveriam nos preocupar. Não entrando no mérito dos gostos pessoais, há estilos musicais que trazem mensagens depreciativas, machistas, homofóbicas, xenófobas, antirreligiosas e etc. Isso existe aqui no Brasil e na maior parte do mundo onde há liberdade de expressão.

Na Colômbia, país vizinho com o qual temos pouco contato e uma imagem geralmente destorcida, existe uma diversa cultura musical. Dos ritmos caribenhos a Cumbia, a música tradicional do país; ao Bambuco, Shakira e Carlos Vives (ouça a parceria do vencedor do Grammy Latino com o brasileiro Michel Teló). A Colômbia é rica em cultura, literatura, música, diversidade e cultura. Etnicamente, sua composição se assemelha a do Brasil, país de matriz indígena, africana e europeia, com importante presença árabe na região costeira e diversas culturas na efervescente capital do país, cheia de estrangeiros e conhecida há séculos como a “Atenas Americana”, pois desde os tempos mais remotos a cidade concentra pensadores e artistas.

Mas, assim como no Brasil, nem todo o legado do país é motivo de orgulho (e eu nem estou falando do que pode ter vindo à sua mente), falo de letras musicais que fazem vergonha por seu caráter depreciativo e linguagem que incita a violência contra a mulher e a objetificação do corpo feminino. Muitas letras do Reggaeton, ritmo caribenho dançante que é sucesso nos países no norte da América do Sul, América Central e Caribe, são motivo de vergonha e alerta na sociedade colombiana.

Pensando nisso, um projeto criado por alunos de design da Universidade Jorge Tadeo Lozano, em Bogotá, a melhor do país em publicidade, design e áreas criativas, junto ao fotógrafo Lineyl Ibáñez (saiba mais sobre ele no Flickr e no Facebook), pretende que as pessoas reflitam no conteúdo dessas canções.

Trazendo trechos de músicas famosas entre os jovens do país, imagens fotográficas passam a ilustrar o que na maioria das vezes o ritmo divertido do Reggaeton ofusca: violência, machismo e uma inconsequente “coisificação” de pessoas, tornando-as objetos a serem usados da forma mais desumana por seus “donos”.

Confira as peças da primeira parte da campanha:

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A campanha teve uma boa repercussão local e causou acaloradas discussões nas redes sociais. As imagens fortes e explícitas, trazem à tona uma mensagem que causa violência e legitima comportamentos e atitudes preconceituosas existentes na sociedade. O selo da campanha, traz a frase: “Use a razão, que a música não degrade a sua condição”. Numa segunda fase, a campanha aborda mais frases, mas as imagens seguem um direcionamento diferente, não menos impactante:

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Veja o vídeo sobre a campanha (em espanhol):

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